O doping legalizado.


Além dos riscos já alertados e cientificamente constatados do uso de psicotrópicos, ainda há a indicação indiscrimada, baseada em diagnósticos fallhos e equivocados.
A moda agora é Trantorno Bipolar Infantil. Que estabilidade é essa tão esperada? Adolescente com Transtorno Bipolar. Como tenho visto isso aparecer no consultório. Estamos apagando a experiência inata ao processo de adolescer, com a formação de uma experiência sintética dos estabilizadores de humor.

Não é à pilha, é à pílula.

                              Não é à pilha, é à pílula.

 

Post abaixo de uma mãe, professor, intelectual e cabeça-pensante:

Eu (mãe) cometi um erro no passado. Depois de tantos professores reclamarem da desatenção do meu filho, levei-o a 3 psiquiatras que prescreveram Ritalina. (É difícil quem não conheça alguém que já usou o medicamento, não?) Diagnóstico? TDAH. (Alguns sintomas de quem tem isso: apresentar dificuldade para prestar atenção e passar muito tempo sonhando acordado; parecer não ouvir quando se fala diretamente com ela; distrair-se facilmente ao fazer tarefas; esquecer as coisas; mover-se constantemente ou ser incapaz de permanecer sentada; falar excessivamente;…).

– Mas ele se concentra jogando videogame!
– Mas para fazer coisas que gosta todas as pessoas se concentram, me explicou o doutor.

Ok.

Hideo usou a medicação por um ano e nada melhorou efetivamente. Aliás, começou a apresentar tiques que foram controlados com outro remédio tarja preta.

No início do tratamento, devo confessar, eu estava mega feliz ao receber o diagnóstico que meu filho era doente. Afinal, é muito mais fácil lidar com uma “doença” que diz respeito apenas ao funcionamento de um corpo e para a qual existiria uma pílula milagrosa, do que escutar o que um adolescente está dizendo com seu comportamento.

Durante o “tratamento” do Hideo, encaminhei 5 alunos para psiquiatras já entrando na onda de encaminhar-ao-psiquiatra-como-método-pedagógico. Cada um desses alunos possuía características diferentes tendo em comum o fato de não gostarem de física e não prestarem atenção nas minhas aulas. Os 5 voltaram medicados com… ritalina!

Isso me fez pensar…

Calma.

Peraí.

O doping está legalizado???

Eu (professora) cometi também um grande erro! Em vez d´eu ter olhado cada aluno a partir da sua história e de sua singularidade, fui o agente de um processo de homogeneização e silenciamento de adolescentes considerados “diferentes”. Tempos modernos onde não mais há alunos com problemas (problema é algo que pode ser resolvido) e sim alunos com transtorno (transtorno é algo que precisa ser eliminado, suprimido).

Desacreditei totalmente em qualquer diagnóstico sobre a suposta “doença”. Hoje levanto a bandeira de que temos que escutar e tentar entender nossos filhos e nossos alunos em sua singularidade. Percebi em tempo que o medicamento oferecido dizia muito mais sobre mim do que sobre eles.

Essa postagem é um convite a todos que conheçam alguém que faz uso dessa droga, repensar sobre a “melhora” nesse processo e se não estão ajudando (em nome de um ideal de normalidade determinado(por quem?)) a calar um determinado conflito existencial que deveria ser o propulsor no ato de educar.

 

Fonte: Elika Takimoto – Facebook

 

… assim caminha a humanidade …

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